Cinema Privado no Algarve

Uma sala de cinema em casa não se compra: projecta-se. O equipamento é a parte fácil e a parte visível, e é também a que menos decide o resultado. O que decide é a sala — as suas dimensões, a forma como trata o som que nela nasce, e a geometria entre quem vê e o que é visto.

Uma sala mal proporcionada com equipamento excelente soa mal. Uma sala bem tratada com equipamento honesto soa notavelmente bem. É por aqui que começamos.

Os modos da sala mandam mais do que as colunas

Entre duas superfícies paralelas forma-se uma onda estacionária. A frequência do primeiro modo axial é dada por f = 343 / (2 × d), em que d é a distância entre elas e 343 m/s a velocidade do som a 20 °C.

Numa sala de 5 m de comprimento isso dá 34 Hz. Com pé-direito de 3 m, 57 Hz. Nessas frequências há posições onde o grave desaparece e posições onde é excessivo — e nenhuma coluna, por melhor que seja, corrige isso, porque o problema não está na coluna.

Quando dois modos coincidem, o efeito soma-se e agrava-se. Por isso há proporções a evitar: 1:1:1, 1:2:3 e 1:1,5:2 concentram modos nas mesmas frequências. A referência que usamos é o rácio de Louden — 1 : 1,4 : 1,9 (altura : largura : comprimento), que os distribui.

Acima de uma determinada frequência a sala deixa de se comportar por modos discretos e passa a comportar-se estatisticamente. Essa fronteira é a frequência de Schroeder, aproximadamente f = 2000 × √(T60/V). Numa sala de 60 m³ com T60 de 0,4 s são cerca de 163 Hz. Abaixo disso trata-se a sala; acima disso trata-se a absorção e a difusão.

Tempo de reverberação

O T60 é o tempo que o som demora a cair 60 dB. Numa sala de cinema, demasiado alto torna o diálogo pastoso; demasiado baixo torna tudo morto e cansativo.

  • THX: 0,3 – 0,5 s
  • CEDIA Tier 4: 0,25 – 0,4 s
  • Referência iHome: 0,2 – 0,35 s

Chega-se lá com 25 a 40% da superfície tratada, e com pelo menos quatro bass traps nos cantos em salas acima de 40 m³ — os cantos são onde a pressão dos modos é máxima e onde o tratamento rende mais.

Coeficientes de absorção a 500 Hz, para dar escala: gesso 0,05 · alcatifa 0,30–0,60 · painel acústico 0,85–1,00 · bass trap 0,70–0,95. Um sofá e umas cortinas não substituem tratamento; alteram-no à margem.

Distância de visionamento: a decisão mais mal tomada

O ângulo que o ecrã ocupa no campo de visão é o que define a sensação de imersão. As normas divergem, e vale conhecê-las:

  • THX: 26° (limite aceitável) · 36° (recomendado) · 40° (máximo)
  • SMPTE: 28° / 30° / 36°
  • CEDIA: 30° / 36° / 40°

Em distâncias práticas: a referência SMPTE corresponde a 1,26 × a largura do ecrã; o mais afastado recomendado pela THX a 1,54 ×; e o limite prático a 2,17 × (26°). A nossa referência de projecto fica em cerca de 2,2 × a altura do ecrã — e é o mesmo valor que o nosso configurador interno usa, para que o que a página diz e o que o orçamento assume sejam a mesma coisa.

Regras de sala que decorrem daí: o lugar principal a cerca de ⅔ do comprimento, nunca encostado à parede de trás — deixar pelo menos 1 m atrás da última fila; largura da sala igual ao ecrã mais uns 30 cm de cada lado; pé-direito de 3 m sempre que possível e a evitar abaixo de 2,5 m; e 30 cm de degrau entre filas.

Projecção: luminância antes de resolução

A throw ratio é a distância de projecção a dividir pela largura da imagem, e é ela que escolhe a lente. Preferimos sempre lens shift óptico a correcção digital de trapézio: a segunda deita fora pixéis reais para endireitar a imagem.

O número que interessa é a luminância no ecrã. A referência DCI de cinema comercial são 14 fL ≈ 48 nits; para HDR trabalha-se entre 100 e 300 nits. A necessidade calcula-se:

lúmenes = (área do ecrã × nits × π) / ganho

Um ecrã de 4 × 1,7 m a 50 nits precisa de cerca de 1100 lúmenes — bastante menos do que a maioria das pessoas espera. Note-se que um ecrã acusticamente transparente, necessário quando as colunas frontais ficam atrás dele, tem ganho próximo de 1,0 e absorve luz: entra na conta desde o início, não no fim.

Som: nível de referência e o que ele exige

A referência de cinema é 85 dB SPL nominais, com 105 dB de pico por canal e 115 dB no canal de efeitos de baixa frequência. Não é um número de folheto: é o nível a que a banda sonora foi misturada, e é o que uma sala tem de conseguir sem distorcer.

Para colunas de 94 dB/W/m a 4 metros, isso significa cerca de 400 W de pico por canal. É por aqui que se dimensiona a amplificação — não pelo catálogo.

Ângulos: frontais esquerda e direita entre 22 e 30°; surrounds laterais entre 90 e 110°; traseiros entre 135 e 150°. Em Atmos, os front heights a cerca de 25° de elevação, os top middle entre 65 e 85° e os top rear entre 25 e 45°. O canal central fica atrás do ecrã, o que só é possível com tela acusticamente transparente — e é a razão pela qual essa decisão se toma no início.

Os subwoofers não se colocam onde sobra espaço: colocam-se onde a medição diz, e em número suficiente para que a resposta seja parecida em todos os lugares e não só no do meio.

Calibração

Uma sala entrega-se calibrada ou não está entregue. Uma calibração de ponto único leva cerca de uma hora. Uma calibração multiponto, que é o que faz a sala soar igual em todos os lugares, leva perto de um dia.

É a diferença entre um sistema que impressiona quem se senta no lugar certo e um sistema que funciona para a família toda.

Como corre um projecto

  1. Levantamento. Dimensões, proporções, construção, ruído de fundo e o que a sala já impõe.
  2. Projecto. Geometria de visionamento, disposição de colunas, tratamento acústico, projecção e infraestrutura eléctrica e de rede.
  3. Coordenação com a obra. É aqui que se ganha ou perde: cablagem, caixas, reforços e caminhos decidem-se antes de fechar paredes.
  4. Instalação e comissionamento.
  5. Calibração e entrega. Com medições e com o sistema explicado a quem o vai usar.

Ver e ouvir antes de decidir

Temos showroom em Quinta do Lago com uma sala completa. Vinte minutos numa sala acabada resolvem discussões que nenhuma especificação resolve.

Somos dealer oficial Control4 e parceiro certificado KNX, e trabalhamos em casas do Algarve desde 2006. O nosso trabalho foi distinguido internacionalmente pela Control4 com o European Best Lighting Project e, a nível nacional, com o Prémio Projeto KNX 2020. Mais sobre os prémios.

Ligue (+351) 289 090 900 ou escreva para geral@ihome.pt.